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Ago

«Estamos no Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades, mas falar de igualdade de oportunidades em Portugal é falar de uma grande treta. E é isso que eu quero denunciar com esta viagem», disse, em 16 de Julho, José Lima, natural de Ponte de Lima mas residente em Viana do Castelo.

Numa cadeira adaptada com «pedais manuais» e uma espécie de caixa de velocidades, José Lima prevê efectuar o percurso em 21 etapas, percorrendo entre 35 a 40 quilómetros por dia.

José Lima escreveu a várias câmaras municipais pedindo ajuda para as pernoitas, mas - frisou então - «contam-se pelos dedos» as que já lhe responderam.

«Não faz mal. Levo comigo um saco-cama e dormirei na rua, frente às câmaras que não me derem apoio», garantiu o deficiente.

Com 52 anos e paraplégico desde 1997, depois de «esmagado» por um elevador que estava a reparar no Ministério das Finanças de Angola, José Lima, licenciado em electrónica industrial, diz que está desempregado há três anos e queixa-se que todas as portas se lhe fecham automaticamente, quando se apresenta numa qualquer empresa em cadeira de rodas.

«Enquanto que o contacto é meramente telefónico, as coisas parecem bem encaminhadas. Mas quando apareço na empresa em cadeira de rodas, as coisas mudam radicalmente de figura. Às vezes, parece que estão a ver um fantasma», diz.

José Lima frisou que este é apenas um dos aspectos da «discriminação» de que os deficientes são alvo em Portugal.

Assumindo-se ser da raça «antes quebrar que torcer», José Lima, que não recebe qualquer pensão da segurança social, montou uma pequena gráfica em casa, onde já editou os seus dois primeiros livros e outras obras assinadas por autores da região.

«Sempre me dá para ganhar algum», refere.

Com gosto pela escrita, garante que já tem na gaveta material para, pelo menos, mais dois livros, admitindo que da sua volta a Portugal em cadeira de rodas poderá também sair um bom «argumento» para mais uma obra.

Lusa / SOL

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