20
Nov
Uma menor deficiente profunda de Remelhe, Barcelos, está há cinco anos à espera de uma cadeira de rodas nova, pois a actual está quebrada, com rodas encravadas e o cinto seguro por um adesivo. A mãe Alice Carvalho, viúva e desempregada, lamenta o "esquecimento" da Segurança Social, Câmara de Barcelos e Junta de Freguesia. "Estou cansada de bater às mesmas portas, não sei que leis este Governo faz, casos parecidos têm outro tratamento", disse Alice Carvalho. A progenitora de 42 anos vive em condições frágeis no lugar de Vilar, Remelhe, e não tem emprego, pois precisa de cuidar da adolescente a partir das 16.00, quando esta regressa da Associação de Pais e Amigos das Crianças Inadaptadas (APACI), em Barcelos.

Alice admite estar "quase morrer à fome", porque gasta "mais de 250 euros por mês" com Cláudia, em medicamentos e fraldas. "As pensões mal chegam e recebo só 20,05 euros de rendimento mínimo", frisou, lembrando que o Estado não cobre todos os medicamentos diários.

A filha toma banho em bacia, "porque a cadeira de rodas não entra" na casa de banho. "Para tomar banho completo tem de ir a casa das tias", notou Alice. A Junta prometeu obras em casa, mas diz que a sogra, que é proprietária, não o permite devido ao processo de partilhas, a decorrer em tribunal. A Segurança Social deu uma cama articulada para Cláudia, mas "não há espaço" para ser montada no quarto. A avó Josefina pouco mais pode fazer, "além do carinho e de ficar à beira da Cláudia".

O caso até já chegou aos ouvidos de deputados. O comunista Agostinho Lopes soube da situação e abordou o Governo sobre a demora. Em requerimento, questionou quando se prevê resposta à situação, qual a ajuda financeira dada e qual a intervenção da Segurança Social. Dois cidadãos de Barcelos e uma associação de Gaia prontificaram-se já a ceder uma cadeira de rodas.


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