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Dez

Mário Trindade, 32 anos, que se desloca em cadeira de rodas desde os 18 anos, está a correr na pista de atletismo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro desde as 05:00.

No dia em que se assinala o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, o objectivo é entrar para o livro de recordes do Guinness, tendo, para isso, que ultrapassar o actual recorde de 181.147 quilómetros percorridos em cadeira de rodas no máximo de 24 horas.

Com esta iniciativa, o atleta pretende ainda alertar para os problemas sentidos pelas pessoas com deficiência e angariar fundos para ajudar a comprar uma carrinha para transportar duas irmãs de São Miguel, Açores.

Este objectivo, disse à Agência Lusa esta manhã, «já foi alcançado».

Segundo Mário Trindade, o presidente da Naval Primeiro de Maio, da Figueira da Foz, Aprígio dos Santos, garantiu a verba necessária para a aquisição da carrinha, que o próprio atleta faz questão de ir entregar nas próximas semanas aos Açores.

As irmãs Carmélia e Florinda, de 35 e 31 anos de idade, nasceram com «Osteogenesis Imperfeicta» e vivem, praticamente desde que nasceram, dentro da mesma casa por falta de um transporte para se poderem deslocar.

Para bater o recorde do Guinness, Mário Trindade terá de concretizar pelo menos 453 voltas à pista de atletismo da UTAD, sendo o frio e as dores nas costas as principais dificuldades que está a sentir.

Eram cerca das 08:30 quando o atleta fez a primeira pausa para descanso, tendo sido muitas as pessoas que durante a manhã se deslocaram à UTAD para dar apoio ao atleta e até experimentar andar numa cadeira de rodas.

Na pista encontram-se também testemunhas independentes a fazer o registo de cada volta e a cronometrar o tempo das voltas, num processo que foi previamente aprovado pelo Guinness.

Mário Trindade considera que são muitas as dificuldades sentidas pelas pessoas com deficiência e deu como exemplo os obstáculos que sente quando se desloca ao centro da cidade de Vila Real, onde, segundo referiu, os «passeios são altos e estreitos e com árvores e postes no meio».

O atleta desloca-se de cadeira de rodas por causa de uma operação mal sucedida mas nem isso o fez perder a vontade de concretizar o seu «grande sonho» que é participar nos Jogos Paralimpicos.

Foi aos 12 anos que Trindade descobriu o gosto pelo desporto, especialmente pelo atletismo, tendo participado em várias provas na cidade de Vila Real.

Eduarda Coelho, treinadora do atleta, salienta o trabalho árduo de Mário Trindade, que todos os dias treina várias horas.

A treinadora lamenta o reduzido número de vagas disponíveis para o atletismo em cadeira de rodas e a falta de apoios da associação que representa estes atletas, factores que considera poderão condicionar a possibilidade de participar já nos Jogos Paralimpicos de 2008 em Pequim.

Mário Trindade foi ainda um dos protagonistas de um protesto realizado em Agosto contra a «falta de apoios» da Associação Nacional de Desporto para Deficientes Motores (ANDDMOT).

Inscrito na modalidade de «atletismo em cadeira de rodas» da ANDDMOT, Mário Trindade disse que aquela associação «não promoveu de modo satisfatório» a modalidade na época desportiva 2006/2007.

Mário Trindade é vice-campeão nacional dos 800 metros e recordista nacional das distâncias de 100 e 200 metros, tendo conseguido ainda o terceiro lugares no Campeonato Nacional nas provas de 100, 200, 400 e 1500 metros.

Diário Digital / Lusa


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