18
Nov
(Artigo de opinião enviado por uma Mãe e Mulher que todos os dias lida com pessoas especiais)

Toda a pessoa deveria ser concebida por e em Amor. A partir do momento que existe como Vida ganha supostamente os mesmos Direitos, Liberdades e Garantias que todos os outros. Ao nascer alguém com necessidades especiais, a sociedade cataloga essa pessoa como “diferente”, “especial”, tratando-a com preconceito e exclusão.

Diferentes somos todos nós uns dos outros, e nem por isso deixamos de ter o nosso lugar na sociedade e de uma forma ou de outra desempenharmos o nosso papel. Especiais são todas as crianças, pois … são ou deveriam ser, o Melhor da Vida, elas são a Vida, a personalização dos valores supremos da humanidade, o Amor, a Alegria, a Felicidade, a Solidariedade, a Igualdade de direitos, a Paz.

Ao serem portadoras de uma necessidade especial, seja à nascença ou subitamente, automaticamente a sociedade encara-os como “os atrasadinhos, os incapazes, os fardos”, que terão de ser suportados.

Os “coitadinhos”, que levam todos às lágrimas, e causam a piedade, “coitadinho do miserável”. Quando um ser nasce, ele não pediu para nascer, ele vai-se descobrindo a ele próprio, e até ter idade suficiente para perceber são os pais os primeiros a terem de abrir-lhes caminho, numa estrada que a sociedade automaticamente fechou ao classificar aquele ser de “diferente”.

Somos nós, pais, que tendo necessidades especiais ou não, lhes temos de ensinar que a vida só tem sentido com Amor, Alegria, Igualdade, Solidariedade e Respeito. Só lhes temos que ensinar que têm tanto direito a estar ou fazer qualquer actividade como qualquer outra pessoa.

Para uma pessoa com necessidades especiais o sentido da sua vida é poder fazer o seu percurso de vida dentro das limitações que tem, sendo amada, respeitada, tratada com igualdade e carinho. Ser feliz acima de tudo e poder ter o seu lugar por direito e mérito na sociedade não se sentindo excluído. Ensinando aos “normais”, que o que conta na Vida não é o aspecto, não é o quanto se consegue fazer, não é mostrar, mas ser um coração grandioso, o como se consegue fazer, torneando os obstáculos e as dificuldades, não é mostrar que se é algo, é ser ela própria.

Por se ter necessidades especiais não quer dizer que não possa ir à escola, tirar um curso superior, casar, ter filhos, educá-los, criá-los. Pelo contrário, até se faz tudo isso com muito mais empenhamento, com muito mais Amor, com muito mais dedicação, tornando-se numa maior realização pessoal. Sentir que apesar das dificuldades, e por caminhos mais sinuosos, mais difíceis, também se alcançam as mesmas metas.

Ensinar que o lado Belo da Vida é aquele em que cada dia é uma conquista, que chegar mais além com Amor, Empenhamento é possível, sem ter que atropelar ninguém pelo percurso. Acima de tudo ensinar que Amar Incondicionalmente é aceitar alguém como ela é, esquecendo a sua limitação e valorizando o potencial e a grandiosidade que aquele coração tem.

Uma pessoa com necessidades especiais faz o seu percurso, tentando atingir as mesmas metas que os “normais”, mas valorizando cada degrau que vai subindo, a passo mais lento, mais sinuoso, mais difícil, o esforço para alcançar é tão mais grandioso que os demais exactamente pelo empenhamento e luta que tal implica.

Um jovem que nasce sem uma perna, e toda a Vida usa uma prótese tem como sentido de vida, fazer o mesmo que os outros jovens da idade dele, só que de forma diferente. Ambiciona como os demais jogar À bola, andar de bicicleta, ser feliz, desfrutar da sua juventude, tirar um curso, constituir família e ter uma vida profissional.

Não consegue correr como os demais, não consegue fazer as traquinices como os restantes, mas faz tudo isso de forma diferente, com mais esforço, com mais empenhamento para chegar onde chegam os outros, carregando o peso de uma prótese, sobrevivendo ao preconceito e exclusão e no fim atingiu todas as metas e dos restantes “normais” muitos foram os que ficaram pelo caminho e nem tão pouco conhecem o sabor agridoce de algumas dessas conquistas, porque fizeram-no sem ter de ultrapassar barreiras.

À jovem que toda a Vida carregou um coração doente, que subitamente vê a sua vida atingida por multi necessidades especiais, que lutou contra muitas dificuldades para ultrapassando as mesmas atingir os objectivos, ser Feliz, tirar um curso, casar, ter filhos, o sabor de todas as conquistas é de facto o sabor algo amargo de vitória e sucesso, porque perante os demais é vista com exclusão, no entanto é uma guerreira que não se deixando vencer pelas limitações, mas nas mesmas, e no amor que a família lhe dá de uma forma incondicional, ultrapassa as dificuldades, surpreende tudo e todos com a sua grandiosidade humana e o seu extremo profissionalismo e é uma mulher de sucesso a todos os níveis.

Uma criança que nasce com T21, é uma inexplicável loucura e no dia em que nos olhando nos olhos sorri e nos transmite algo tão belo, tão extasiadamente simples como: “mamã adoro-te”. Um simples sorriso, o levantar o pé para subir um degrau, o esboço de uma palavra que para os ditos “normais” é natural fazer, para estas crianças é um deleite absoluto, porque por detrás de um gesto “normalmente” natural, está um longo percurso de trabalho, de investimento, de empenhamento, de trabalho, acima de tudo de muito Amor.
Este é o verdadeiro sentido na vida de alguém que tem necessidades especiais.

Este texto é também uma grande homenagem a pessoas muito importantes na minha Vida, pois fazem parte de mim, do meu viver e enriquecem a minha vida a cada dia que passa.

Porque o seu ensinamento de Vida é bem mais rico que dos demais. Acaba por ser também uma homenagem a todas as pessoas que tendo as suas vidas dificultadas por necessidades especiais, são detentoras de um coração de facto grandioso.

Porque quando Deus tira de um lado, dá do outro.

Porque nascer ou ver subitamente a sua Vida atingida por uma deficiência não é o fim da vida, é exactamente um Começo ou Recomeço!


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