6
Abr
Política educacional coloca crianças com deficiência na escola regular após consulta à família; antes, as crianças eram avaliadas pela prefeitura.

José Renan Macedo Almeida, de 11 anos, tem deficiência física em decorrência de paralisia cerebral. Até 2009, estudava numa classe especial, sem divisão por série (classe). Desde Fevereiro, frequenta o 4.º ano do ensino fundamental numa turma regular da Escola Municipal Dídia Machado Fortes, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro - Brasil.

O conteúdo que aprende é o mesmo dos outros colegas. Participa das aulas de educação física - faz atletismo -, aprende percussão (aula de tambor, conforme explica). Ultrapassa as suas dificuldades de coordenação motora fazendo os exercícios em num computador portátil que o pai, porteiro, ganhou. Na sexta-feira, a sua tarefa era escrever uma redação sobre aquecimento global. Actualmente diz que quer ser bombeiro.

O que mudou foi a política de inclusão do município. Antes, os alunos com deficiência eram avaliados e seleccionados pela Secretaria de Educação. Alguns eram considerados aptos à inclusão e iam para as escolas regulares. Outros eram encaminhados para classes ou escolas especiais.

A ideia era que as classes especiais fossem temporárias, onde as crianças seriam preparadas para a inclusão. Mas, às vezes, ficavam ali tanto tempo que, crescidas, não podiam ser encaminhadas para as primeiras séries do ensino fundamental. O sistema tinha ainda brechas - por erros de avaliação, houve casos de crianças hiperactivas que foram parar a turmas para deficientes. Hoje, a secretaria não diz quem pode ou não ser incluído. A escolha cabe aos pais.

"Todas as crianças têm ganhos. Aprendem com as diferenças, crescem com menos preconceitos. Os alunos sem deficiência entendem que ser diferente é normal e aprendem a lidar melhor com as próprias dificuldades. A criança com deficiência cresce com pessoas que pertencem à sua geração e aprendem de acordo com as suas possibilidades, sem que ninguém imponha limites", defende Cláudia Grabois, directora do Instituto Helena Antipoff, órgão que coordena a educação especial.

Acompanhamento: Para facilitar a inclusão de alunos com dificuldades de locomoção, deficiência intelectual ou transtorno global do desenvolvimento (autismo), foram contratadas 300 estagiárias de Pedagogia, que acompanham os alunos individualmente. Também chegam à rede, em Abril, 270 intérpretes e instructores da Linguagem Brasileira de Sinais (Libras). Até então, alunos surdos tentavam fazer a leitura labial dos professores. A prefeitura está a finalizar a compra de 500 computadores portáteis para cegos e alunos com paralisia cerebral.

O Ministério da Educação está a enviar 300 kits para equipar as salas de recursos, onde os estudantes desenvolvem as suas especificidades para facilitar a aprendizagem - o aluno surdo aprende libras; o cego, braile; alunos com deficiência intelectual trabalham raciocínio lógico.

"Integração não é inclusão. Na integração, a criança adapta-se à escola. Na inclusão, a escola adapta-se às necessidades dos seus alunos. Mas isto tem de ser feito com qualidade e precisa de investimentos", diz Cláudia.

Para facilitar o trabalho dos docentes e tirar as dúvidas foi criado o Disque-IHA. Professores de educação especial tornaram-se itinerantes e orientam os colegas e o desenvolvimento de materiais didácticos específicos.

Cláudia costuma ouvir a mesma pergunta de pais e profissionais - e aquele aluno que o professor sabe que não vai? "É o que mais precisa da inclusão. Precisa conviver com as pessoas. Não somos nós que vamos dizer qual é o limite deles."
Esta notícia já foi consultada 2124 vezes
 
Publicidade