14
Mai
Na telenovela da noite da SIC, “Viver a Vida”, a personagem Luciana que está numa cadeira de rodas, vai realizar o sonho de muitas mulheres com deficiência: ter filhos. Na vida real, o desafio é grande, mas possível.

De acordo com Miriam Waligora, obstetra e uroginecologista: "É difícil ser mãe. A mãe em cadeira de rodas tem uma dupla coragem: a de enfrentar limitações físicas e a própria maternidade".

Segundo Mário Cavagna (membro da Comissão de Reprodução Humana da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia), a gravidez de mulheres em cadeira de rodas é arriscada e, por isso, exige atenção. O principal problema é o elevado risco de se desenvolverem infecções urinárias.

“Para as pessoas com deficiência, este risco aumenta significativamente, devido a estarem muito tempo sentadas e por terem dificuldades em controlar a bexiga. Caso a infeccão urinária não seja devidamente tratada, pode levar ao aborto, ao parto prematuro e até, alastrar-se ao rim, podendo causar a morte da mãe”, explica o médico.

Mário Cavagna também sublinha que, as alterações que ocorrem no sistema de circulação do sangue (comuns nas gestantes) podem ser mais graves para as deficientes, aumentando o risco de tromboses e pernas inchadas.

Midory Namihira , fisiatra do Instituto de Medicina de Reabilitação, relembra que algumas mulheres em cadeira de rodas não têm sensibilidade sacral. Facto que aumenta o risco de partos prematuros, já que a gestante não tem percepção de dor nem de contracções.

"No parto e durante a gravidez, é fundamental estar atento às contracções. Caso contrário, o sistema nervoso autónomo pode responder com aumento da tensão arterial, podendo levar ao AVC ou enfarte".

Mas...

"Não é porque há riscos que a gestação é contra-indicada. Todas as mulheres têm o direito de ter filhos. Basta planear", conclui Cavagna.


[B]A opção pela maternidade exige consciência das limitações[/B]

De acordo com Miriam Waligora, para se ter um filho é necessário que o casal tenha vontade e comprometimento, independente da mulher estar ou não numa cadeira de rodas. As limitações não impedem a maternidade e fazem da nova mãe uma vencedora.

O sonho de ter um bébê vai ser realizado pela psicóloga Tatiana Rolim, de 33 anos, em Julho. Em cadeira de rodas desde os 17, está grávida de sete meses de Maria Eduarda. "A gravidez está a ser mágica, é uma fase muito especial para todas as mulheres. Mas só deve ser vivida se se está de bem com a deficiência", aconselha, orgulhosa, a futura mãe.
Esta notícia já foi consultada 1822 vezes
 
Publicidade