12
Set
Uma equipa de cientistas da Universidade de Utah deu um passo insólito na “leitura das mentes” de pessoas com paralisia avançada, num estudo que mostra que é possível traduzir as ondas cerebrais em palavras.

O estudo, publicado na revista Journal of Neuroscience, explica que esta descoberta, que parece ser típica de filmes de ficção científica, foi possível graças à colocação de eléctrodos no cérebro.

A equipa liderada pelo bio-engenheiro Bradley Greger desenhou um mecanismo delicado que consiste em distribuir os eléctrodos em duas “grades” do tamanho de um botão colocadas no centro da fala do cérebro de um paciente epiléptico.

Os cientistas ligaram este sistema de eléctrodos a um computador pronto para gravar sinais cerebrais e mostraram ao paciente 10 palavras que consideram ser úteis para uma pessoa paralisada, tais como: “sim”, “não”, “calor”, “frio”, fome”, “sede”, “olá”, “adeus”, “mais” e “menos”. De seguida, pediram ao paciente para tentar repetir as mesmas palavras em voz alta e comprovaram que, numa taxa de 76 a 90% dos casos, o computador mostrava os mesmos sinais cerebrais para a mesma palavra lhe tinha sido ensinada na experiência anterior.

Greger não hesita em classificar esta descoberta como " leitura do pensamento " e expressou a sua esperança de que "em dois ou três anos esteja disponível para uso em pacientes paralisados".

O tipo de paciente que poderia ser especialmente beneficiado é, segundo Greger, aquele que tem o síndrome de paralisia temporária depois de um ataque. Neste estado, os pacientes comunicam muitas vezes através de movimentos como o piscar de olhos para escolher as palavras de uma lista, mas a possibilidade de transmitir aquilo que pensam poderia ser “um grande avanço” para a sua autonomia”.

Até agora, a possibilidade de colocar de eléctrodos na superfície do cérebro tem sido repetidamente rejeitada pelo receio de causar danos irreversíveis, que, segundo Greger, no seu método não ocorrem, pois os pequenos lotes de eléctrodos são depositados sobre o centro da fala "e não se implantam”.

Num esforço de “refinar” a máquina de tradução do pensamento, a equipa liderada por Greger aumentou o número de eléctrodos que se agrupam nas grades de 16 para 121 sensores, com a finalidade de aumentar a precisão das leituras.

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