10
Nov
A explicação da Enf.ª Ana Raquel Santos.

[B]RESUMO: Um acidente isquémico transitório ocorre quando, durante um curto período de tempo, uma das artérias que transporta o sangue até ao cérebro fica obstruída ou sofre um espasmo. Sendo o cérebro o principal órgão que comanda as nossas funções vitais e sendo que as suas células não conseguem funcionar adequadamente sem oxigénio, transportado pelo sangue, quando a circulação é interrompida o cérebro deixa de funcionar momentaneamente.[/B]

Todos nós já testemunhámos ou conhecemos a história de um amigo ou familiar que conta que se sentiu incapaz de andar ou mover-se momentaneamente, confuso com palavras ou indisposto, enjoado e com vómitos ou até tenha perdido os sentidos, por um curto período de tempo. Embora nenhum destes estados seja suficiente para definir um AIT, a sua ocorrência conjunta, assim como uma observação cuidada da história de saúde da pessoa afectada, podem ser factores que anunciam um prognóstico menos favorável, daquilo que se pensava ser uma situação sem importância.

Associadas tantas vezes às indisposições ou às “baixas de tensão”, descritas na forma popular como uma explicação apaziguadora para estes momentos, surge por vezes o AIT.
O AIT, parente próximo do acidente vascular cerebral, significa acidente isquémico transitório.

Um acidente isquémico transitório ocorre quando, durante um curto período de tempo, uma das artérias que transporta o sangue até ao cérebro fica obstruída ou sofre um espasmo. Sendo o cérebro o principal órgão que comanda as nossas funções vitais e sendo que as suas células não conseguem funcionar adequadamente sem oxigénio, transportado pelo sangue, quando a circulação é interrompida o cérebro deixa de funcionar momentaneamente. A parte do cérebro afectada por este acontecimento corresponde à parte do cérebro dependente da circulação da artéria que foi obstruída e que ficou, temporariamente, sem oxigénio. Nestes casos, acontece então uma disfunção neurológica transitória, ou seja, algumas das funções desempenhadas normalmente pelo cérebro saudável, podem ser interrompidas momentaneamente.


[B]Como perceber se está perante uma situação de AIT?[/B]

Os sintomas decorrentes de um AIT são semelhantes aos sintomas que surgem quando uma pessoa tem um AVC: diminuição da força em locais específicos do corpo, dificuldade temporária em engolir e mastigar alimentos, alguma diminuição da sensibilidade, perda de consciência, indisposição física (náuseas ou vómitos), etc:

• Alterações visuais: perda da visão, num dos olhos; visão reduzida; visão dupla;
• Diminuição da força muscular numa perna ou num braço, na mão, nos dedos, etc.
• Ocorrência de parestesias (formigueiro, frio, calor, pressão, etc.);
• Alterações da sensibilidade
• Dificuldade em falar: fala enrolada; dificuldade em exprimir-se com as palavras correctas ou desejadas;
• Perda de equilíbrio e coordenação de movimentos;
• Entre outros.


Estes sintomas podem ser ligeiros e subtis, passando por vezes despercebidos, mas também podem ter um grande impacto no funcionamento neurológico da pessoa.
Qual a diferença então, entre os sintomas do AVC e do AIT?

Quando ocorre um AIT, todos os sintomas observados durante este episódio, são breves e reversíveis. Um acidente isquémico transitório tem uma duração inferior a 24 horas (por vezes pode durar uma hora ou apenas alguns minutos) e todas as alterações observadas regridem, neste período de tempo, ao seu estado normal.
Um AIT pode ocorrer por várias vezes, durante um considerado período de tempo. No entanto, tenha atenção! Quando uma pessoa sofre um episódio de AIT este é sempre um aviso de que a circulação cerebral tem algum problema que se avizinha. 5% das pessoas que sofrem um AIT sofrem um acidente vascular cerebral dentro de um ano.

O AIT é, portanto, um sinal de que um AVC poderá ocorrer num futuro próximo – é um aviso.
Pessoas que já sofreram este tipo de episódio uma ou várias vezes são pessoas em risco de desenvolver um AVC.

[B]Como proceder, nestes casos?[/B]
Sempre que exista uma sintomatologia semelhante à descrita, a pessoa deve ser encaminhada para um serviço de urgência, para realizar um despiste de doenças cardiovasculares e, se for esse o caso, iniciar um plano terapêutico que ajude a prevenir um possível AVC no futuro.

Como a recuperação das pessoas com AIT é rápida, por vezes torna-se complicado reconhecer a importância da observação médica nestas situações. Uma consulta no hospital pode permitir a identificação de factores de risco e de uma possível lesão cerebral através de exames muito simples e pouco invasivos. Este acto pode permitir que inicie um programa que evite que sofra mais tarde, as terríveis consequências de um AVC, que se mantém como uma das principais causas de morte e incapacidade no nosso país.

Não facilite! Em caso de AIT procure ajuda e aconselhamento junto dos profissionais de saúde!
É você, o primeiro, a salvar a sua vida.

Enf.ª Ana Raquel Santos
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