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Nov
[B]RESUMO: A Organização Mundial de Saúde define queda como qualquer acontecimento que leve o indivíduo a cair ao chão contra a sua vontade. Todos podemos cair, no entanto, na população idosa, as quedas são situações frequentes, que acontecem devido às alterações do equilíbrio e da capacidade de resposta ao meio ambiente.[/B]

A Organização Mundial de Saúde define queda como qualquer acontecimento que leve o indivíduo a cair ao chão contra a sua vontade e afirma que esta situação corresponde a cerca de 90% dos acidentes nos idosos. Todos podemos cair, no entanto, na população idosa, as quedas são situações frequentes, que acontecem devido às alterações do equilíbrio e da capacidade de resposta ao meio ambiente.

Sabia que aproximadamente 30% dos idosos sofre, todos os anos, quedas em casa?
Segundo os dados estatísticos disponíveis, indivíduos com mais de 65 anos constituem aproximadamente 17% da população portuguesa, no entanto representam 74% de todas as mortes causadas por quedas.

Mas afinal, porque caem mais os idosos?
A queda no idoso está associada a diversos factores, alguns deles relacionados com a idade (como a perda progressiva de mobilidade, da marcha e do controlo postural ou alterações do equilíbrio e da função mental, etc.), outros relacionados com doenças específicas, mais comuns na população idosa (como o AVC, Diabetes, Parkinson, algumas demências, etc.). Para além disso, os factores ambientais, relacionados com o meio que rodeia o idoso, representam um papel importante no desencadear da queda.

A queda no idoso pode ter complicações sérias!
Para além das situações de fractura do colo do fémur, da anca, do punho e de outras articulações importantes, a queda no idoso pode provocar feridas e situações de traumatismo craneoencefálico, entre outras complicações.

É também frequente, na pessoa idosa que sofreu uma queda, existir um medo recorrente de tornar a cair, de sair de casa, de ficar dependente de terceiros – aspectos que vão influenciar a actividade da pessoa e a sua vida emocional e social.

Em situações mais graves, a queda pode mesmo levar à morte.

A partir desta perspectiva, podemos facilmente compreender que é essencial que as pessoas desta faixa etária e respectivas famílias estejam especialmente sensibilizadas para a prevenção deste tipo de situação nos seus lares.

Sendo assim, como podemos prevenir o risco de queda junto dos nossos idosos?
A prevenção da queda no idoso em casa pode passar pelo controlo do ambiente externo, de forma a garantir segurança e adaptação suficientes que permitam ao idoso enfrentar os perigos que o rodeiam.
Alguns exemplos destas adaptações são:
- Iluminar as diferentes divisões da casa de forma adequada;
- Fixar os tapetes e carpetes com materiais aderentes e antiderrapantes, para evitar que deslizem;
- Colocar as fichas eléctricas e os interruptores em locais visíveis, tendo em atenção para a adequada fixação de fios eléctricos às paredes;
- Promover a utilização de um calçado seguro, que facilite a mobilização: cómodo, com solas aderentes de borracha, com saltos largos e presilhas ou atacadores;
- Ter sempre junto ao telefone números de urgência, familiares ou vizinhos que o possam socorrer se necessário. Aconselha-se a utilização de telefone móvel;
- Ter óculos de graduação adequada;
- Manter a cama e restantes móveis com altura e firmeza adequadas, para facilitar a entrada e saída;
- Se tiver escadas, é aconselhável equipar os degraus com material antiderrapante, em cor contrastante;
Nas situações em que a pessoa idosa se encontra a tomar medicação é também importante compreender se a sua dosagem é adequada e se não existem interacções presentes entre os medicamentos. Por vezes, estas situações podem levar a uma diminuição da vigilância e da capacidade de resposta do idoso, proporcionando situações favoráveis a quedas. Assim, é fundamental o acompanhamento regular do idoso pela equipa de saúde, no sentido de personalizar e ajustar ao máximo o seu plano terapêutico, evitando situações de sobredosagem e de medicação desnecessária.

Para além destes aspectos relacionados com a doença, o ambiente externo e a remoção de barreiras física no contexto domiciliário, é fundamental compreender que a primeira prevenção da queda é a promoção de um envelhecimento activo!

Um idoso que mantenha uma vida activa, estimulando continuamente as suas funções motoras e cognitivas, através da prática de exercício físico regular e através do envolvimento em actividades sociais e de estimulação cognitiva, é um idoso num processo de envelhecimento saudável.

Envelhecer saudável é responsabilizar-se pela sua saúde e pelo meio ambiente onde vive.
A família tem um papel fundamental neste processo, no acompanhamento da pessoa idosa e na detecção de alterações no seu estado de saúde. Valorize as queixas, tonturas, sensações de fraqueza ou situações de perigo vividas pelo seu idoso – e sempre que precisar de ajuda, não hesite em procurar respostas por entre os profissionais de saúde!

Enf.ª Ana Raquel Santos
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