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Fev

O grupo de ratos que tinha sido geneticamente modificado para envelhecer mostrava sinais de mudança. Eles que até há algum tempo sofriam de impotência, perdas de memória e até tinham pêlos grisalhos, viram todos os sinais de envelhecimento revertidos: o pêlo voltou a ganhar cor, o cérebro cresceu e voltaram a ser férteis. Ronald DePinho, um cientista luso-americano, conseguiu por meio da genética "ligar e desligar" o gene responsável pela reparação do ADN dos ratos de laboratório. O processo de envelhecimento foi revertido pela equipa de DePinho, abrindo caminho para uma espécie de "fonte da juventude" nas células humanas.

"Este estudo é bastante relevante para os humanos, pois pode ajudar a diminuir a incidência de certas doenças, como os cancros, a diabetes ou o Alzheimer", disse ao DN Ronald DePinho, que dá aulas na Escola de Medicina da Universidade de Harvard e trabalha no Dana Farber Cancer Institute, em Boston.

O gene responsável pelo rejuvenescimento tem o nome de telomerase e é abundante no ser humano quando ainda embrião. Mas a partir daí começa a diminuir drasticamente no nosso corpo, o que deixa os telómeros à mercê de "agressões" que os vão danificando e contribuindo para que fiquemos mais velhos. No caso das cobaias usadas na investigação, estas foram primeiro sujeitas a um processo de envelhecimento que provocou a perda de capacidades cognitivas e de sinais exteriores. "Os ratos tinham falhas de memória, eram inférteis e tinham pêlo grisalho", conta o investigador.

Com o gene a ser "ligado", esperava-se um "abrandamento do processo de envelhecimento ou a estabilização". Mas, em vez disso, houve uma inversão dos sinais de envelhecimento: o sinal que indica que os nossos tecidos têm a capacidade de se auto-regenerarem.

Agora o passo que se segue é repetir a experiência, mas com o objectivo de que este processo resulte nos humanos. "Queremos aplicar o processo aos humanos e fazê-lo de forma segura", diz o investigador. Mas parece que novidades neste campo ainda vão ter de esperar uns anos: "Pelo menos, entre dez a 20 anos é o tempo que ainda vai demorar a desenvolver este método para os humanos de forma a que ser seguro e eficaz. O primeiro passo é descobrir como o vamos fazer", explica.


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