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A colaboração entre a família da criança com autismo e a escola é fundamental, para que se possam desenvolver estratégias que colmatem as necessidades, não só da criança com perturbação do desenvolvimento, mas de todos os membros da família que interagem com ela.

Uma abordagem centrada na família, deve procurar desenvolver as capacidades desta, para responder às necessidades específicas da criança com autismo, evitando que se tornem dependentes dos serviços de apoio. Assim, o apoio dado pelo profissional de educação ou outro relacionado com a intervenção precoce, é um acréscimo de alento e motivação para a família em que se concentra a intervenção. É actualmente reconhecido, que os educadores/professores são aqueles que permanecem mais tempo e conseguem maiores níveis de confiança junto das famílias de crianças com N. E. E., do que quaisquer outros profissionais de educação ou saúde. Para que se consiga um envolvimento de todos os membros da família da criança, o profissional deve conhecer alguns pressupostos teóricos sobre as características e dinâmicas familiares, tendo de considerar a comunicação interpessoal, uma competência essencial a atingir. A parceria educacional, deve basear-se na partilha, no respeito, na negociação, na informação, nas aptidões da família/criança, na confiança e responsabilidade de ambas as partes nas decisões a tomar.
Nem sempre é fácil aceitar um diagnóstico de autismo para os pais de uma criança.
Segundo Jordan (2000), a aceitação da situação depende da idade, das capacidades/problemas que a criança apresenta, o número de filhos e idade do casal, a saúde dos membros da família e até a situação económica. Esta autora propõe que os técnicos devem aceitar as estratégias da família para lidar com a situação, podendo estes profissionais contribuir para a integração da criança autista no seio da família e a melhoria das suas condições de vida dentro e fora dela.
A colaboração entre a família da criança com autismo e a escola é fundamental, para que se possam desenvolver estratégias que colmatem as necessidades, não só da criança com perturbação do desenvolvimento, mas de todos os membros da família que interagem com ela.
Estas estratégias de intervenção na família podem passar por:
- Dotar os pais de capacidade de interacção com o problema da criança;
-Fornecimento de serviços de atendimento específicos, nomeadamente, materiais e financeiros;
-Promoção de encontros de pais com filhos autistas;
-Assistência psicopedagógica;
-Ajuda na integração laboral dos filhos mais velhos;
-Proporcionar à família um modo de vida mais equilibrado e menos limitado, podendo passar por programas de ajuda domiciliária;
-Colocação da criança numa família temporária ou em actividades de lazer nos fins-de-semana;
- Estabelecimento de um equilíbrio de papéis parentais nos cuidados com a criança.
Buadista (1997) defende que os técnicos envolvidos no processo de escolarização da criança com autismo infantil, devem transmitir aos pais sentimentos de: desculpabilização, quando confrontados com as teorias que no passado os responsabilizavam pela perturbação dos seus filhos, reconhecimento pelo esforço em tentarem dar o melhor aos seus filhos autistas e valorização do seu papel, enquanto pais com necessidades de apoio. Portanto, o profissional que intervém junto das famílias com crianças autistas, deve ser capaz de:
- Estabelecer uma atmosfera de confiança;
-Incentivar os pais a intervir no processo;
-Satisfazer as necessidades de informação dos progenitores, através de uma linguagem acessível, honesta e apenas o essencial;
- Ser sensível à dor dos pais, mas proporcionando-lhes oportunidades de superação dessa dor;
- Saber escutar os problemas da família;
- Estabelecer um plano de intervenção que respeita a vontade dos pais;
- Ter em mente resultados a longo prazo.
Em Portugal, concretamente na Região Centro, a existência de centros especializados no acompanhamento de crianças com a Síndroma do Autismo e suas famílias, através de uma intervenção directa, formal e estruturada (PIACAF - Projecto de Intervenção e Apoio a Crianças com Perturbações do Espectro do Autismo e suas Famílias), contribuíram para melhorar a resposta da sociedade às necessidades educacionais e de inserção social destas crianças.

Fonte:Jornal Terra Nostra

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