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Dez

A osteoartrose é a principal causa de incapacidade da pessoa idosa, associando-se frequentemente, neste grupo etário, a outras doenças por vezes incapacitantes, deixando afectadas articulações importantes para a funcionalidade global do nosso corpo, como as da mão, joelho, anca, coluna vertebral e pé. É, desta forma, uma doença à qual devemos direccionar a nossa atenção e ter uma atitude preventiva, de forma a termos a melhor qualidade de vida possível.

A Osteoartrose é a mais comum das afecções reumáticas, pois atinge aproximadamente um quinto da população mundial, sendo considerada uma das mais frequentes causas de incapacidade laboral, após os 50 anos.

De acordo com a Direcção Geral de Saúde, em Portugal, as doenças reumáticas (da qual faz parte a osteoartrose) têm uma prevalência (número total de casos) aproximada de 20 a 30%; são causa de 16 a 23% das consultas de clínica geral; ocupam o 2º ou 3º lugar dos encargos decorrentes do consumo de fármacos; constituem a 1ª causa de incapacidade temporária; são responsáveis por 17% dos casos de acamamento definitivo; 26% dos casos com necessidade de utilização de cadeira de rodas, 30% dos casos de mobilidade limitada ao domicílio; 40 a 60% das situações de incapacidade prolongada para certas actividades da vida diária; são responsáveis por 43% dos dias de absentismo laboral por doença e originam o maior número de reformas antecipadas por doença, ou seja, 35 a 41% do seu total.

Números preocupantes, que constatam o facto das doenças reumáticas serem extremamente incapacitantes, e serem um factor que influencia a qualidade de vida que a população idosa tem.

A osteoatrose, em particular, é extremamente prevalente na população em geral: a sua frequência aumenta com a idade, tornando-se quase generalizada a partir dos 70 anos., predominando nas articulações de carga e nas mãos.

A osteoartrose (OA), ou simplesmente artrose, caracteriza-se como uma doença articular, resultante da falência de vários processos de reparação face a múltiplas agressões e lesões sofridas pela articulação, ocorrendo destruição da cartilagem e reacção do osso. É um processo que envolve, globalmente, toda a articulação, o líquido que circula na articulação e facilita a sua movimentação (sinuvial), os ligamentos e os músculos. Os sintomas passam essencialmente por dor articular, rigidez e limitação da função.

Os factores de risco para o aparecimento de osteoartrose podem dividir-se em não modificáveis e potencialmente modificáveis. Entre os primeiros, estão a idade (sendo muito clara a associação de osteoartrose com o envelhecimento), a raça, o sexo (sendo esta uma patologia mais frequente nas mulheres), as doenças metabólicas ou endócrinas, e os factores genéticos.
Entre os factores de risco modificáveis (aqueles que são passíveis de ser modificados através do nosso comportamento), são identificados: a obesidade, os traumatismos ocorridos sobre a articulação, a sobrecarga articular resultante de actividades profissionais ou de lazer, e as alterações anatómicas.

Desta forma, a população com risco acrescido para o desenvolvimento de osteoartrose, é constituída, sobretudo, por pessoas idosas, em particular do sexo feminino, obesos, pelos que têm as suas articulações sujeitas a sobrecarga devido à profissão ou por motivos desportivos, pelos que têm alterações anatómicas que afectam a normal biomecânica articular e pelos que sofrem de outras doenças articulares e ósseas, incluindo os traumatismos.

Desta forma, é nestes factores que a nossa acção se torna essencial. Se tem uma actividade laboral que exige esforço, deve ter em atenção os princípios básicos de movimentação de cargas, de forma a não sobrecarregar as articulações.

Contudo, a evolução da osteoartrose é normalmente lenta, sendo medida em anos ou até décadas. O curso da doença pode tornar-se estável, ser lentamente progressivo, entrecortado ou não por surtos de agudização dos sintomas. No entanto, existem formas de evolução rápida, identificadas para a anca e joelho, que se instalam em poucos meses e que devem ser activamente tratadas.

Comece a actuar nos factores modificáveis desde jovem: a obesidade é um grande factor de risco, por isso, trabalhe este aspecto; corrija também anomalias articulares, congénitas ou de desenvolvimento; evite a sobrecarga articular e os traumatismos repetitivos; fortaleça ao músculos em volta das articulações (com o cuidado de não sobrecarregar demasiado os músculos através do desporto). Só assim poderá evitar ser mais uma vítima desta doença, responsável por grande parte da incapacidade que verificamos na população idosa.


Enf. Leonor Monteiro
Enfermeira Especialista de Reabilitação
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